Manecão, Centro Cultural, Quadra do Sinézio e o destino do Centro de Idosos

Não tem licitação, orçamento e nem prazos para execução de obras. Ainda assim a Prefeitura de São João Batista baixou decreto suspendendo atividades do Centro de Convivência e prometendo manutenção na estrutura. Espaço entra para a lista de estruturas públicas inviabilizadas por uma mesma palavra: reforma. Destino que já custou o Ginásio Manecão, Quadra da Escola Sinézio e Centro Cultural. O primeiro interditado desde 2013, ou seja, seis anos.

Duas folhas de “Eternit” arrancadas foi o principal motivo para interdição do Manecão. De 2013 prá-cá a estrutura se deteriorou. Em 2016 foi plataforma de campanha do prefeito Daniel Cândido (PSD), que na época, disse ter recursos e projeto pronto para reconstrução do espaço. Dois anos passados do segundo mandato, e o histórico Manecão continua se deteriorando. Novas promessas de reforma foram divulgadas nos últimos meses. Sem previsão que saia do papel.

Interdição da quadra de esportes da Escola Sinézio Octaviano Dadam aconteceu em 2015. Os problemas no local, no entanto, foram detectados em 2013. A quadra tem problemas de infiltração e dezenas de problemas estruturais. Uma ação judicial foi movida contra a gestão do ex-prefeito Aderbal Manoel dos Santos e a construtora, inclusive com bloqueio de bens. Para resolver os problemas nada foi feito e a situação, agora, saiu do controle e atinge até residências próximas.

Nesta quinta (08/02), outra parte da escola foi interditada. Duas salas e o espaço que os alunos usavam para educação física não poderão mais ser utilizados. Com a deterioração da quadra de esportes, outras áreas da escola estão sendo afetadas. Parte de uma residência ao lado da unidade de ensino também foi interditada. São mais de 250 alunos afetados por problemas que se agravaram nos últimos seis anos.

Em 7 de junho de 2018 a Prefeitura de São João Batista iniciou uma reforma, que ainda não foi concluída. O Centro Cultural Batistense, inaugurado em 1992 foi fechado para uma obra de R$ 80 mil. Na época a Administração afirmou que na retirada do forro, foi percebido problemas na madeira do telhado, “que não precisaria ocorrer, caso tivesse sido colocado madeira de qualidade na época da última reforma, em 2008”.

Já passaram 8 meses desde o início das obras e o Centro Cultural segue fechado. Eventos são deslocados para o Salão Paroquial e outros locais. Ironicamente o auditório fica ao lado do esfacelado Manecão. Cabe nessa lista o destino do antigo Posto de Saúde, ao lado da Câmara de Vereadores. Fechado por anos, foi doado a Polícia Militar que alegou não ter dinheiro para reforma, devolvido ao município e transformado em pó.

Há um destino certo a boa parte desses prédios, e a demora para que sejam devolvidos a uso da comunidade é um deles. No caso da quadra da Escola Sinézio, é improvável que se salve da demolição. O Manecão, a promessa de campanha, ao menos, era de construir um novo Ginásio. Assim, do pó ao pó. E lentidão vão custando cada vez mais recursos públicos, ou dinheiro do povo.

Sem prazos, licitação e orçamento, é grande a probabilidade da reforma do Centro de Convivência do Idoso ter o mesmo destino das demais. Por tradição, gestores públicos gostam de inaugurar novas obras, mas torcem o nariz para as reformas e manutenções. Passou da hora do Poder Público fazer um checklist e ir eliminando essas questões. Ou seja, demolindo, construindo e reformando. Em respeito ao dinheiro público e ao cidadão.